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Amei uma mulher como se fosse um anjo.

Sim, amei-a como se anjo fosse, eu a fiz anjo, fiz pureza, fiz candura, eu a fiz doce. Amei aquela criatura como nunca na vida amei ninguém. Quis vê-la feliz, quis ser a razão da sua felicidade, quis ser feliz também. Mas anjos não tem cor, não tem sexo, não tem idade. Anjos não tem desejo, não pecam, não tem maldade. Pequei. Pequei porque fiz um anjo e acreditei no anjo que fiz. Não poderia jamais acreditar que aquele anjo, fosse me tornar feliz. Não era apenas um anjo, mas o melhor que pude fazer, um anjo bom, anjo generoso, anjo de amor, anjo poderoso. Mas anjos não se fazem na terra, nem são feitos por pecadores. Anjos tem asas, não tem casas, anjos são acolhedores. Anjos são amigos, são fiéis, são verdadeiros, anjos não se importam com comida, com bebidas ou com riqueza, eles são anjos por isso, não possuem compromisso com a nossa natureza. Mas eu, de forma apaixonada fiz um anjo nesta terra, não devia, mas fiz. Fiz um anjo como eu queria, dei-lhe sonhos, dei-lhe paz, amor e alegria, só que aquele lindo anjo que desenhei, não existia. Era anjo só na minha mente, uma ilusão que poeta sente, quando ama ao extremo. Cria anjos onde não há, se põe pensativo maquinando, sua mente a desenhar, anjos que não existem. Coisa de poeta sonhando, fazendo aquilo que seu coração manda, traçando ilusões e devaneios, tudo fruto do anseio, a pressa de sonhar. Eu amei uma mulher como se fosse um anjo, um anjo que para mim era alvo, claro com a neve ensolarada. Branquinho de doer a vista e assim como faz todo artista, fica preso em sua criação, maravilhado com aquilo que criou. Fiz um anjo de amor, com toda beleza deste mundo, mas pequei porque não sabia que naquela breve agonia, o anjo que fiz me falhou. Descobri então que não posso criar anjos, porque anjos são divinos, são pequenas criaturas de luz, são como meninos, livres de qualquer pecado e qualquer anjo que na terra for criado, não será anjo do bem, mas um anjo desalmado. Amei sim, amei muito aquele anjo, aquela minha criatura, que fiz com meus restos de sonhos perdidos, juntei todos e criei, de todos os anjos que existem, o anjo mais bandido. Por Tony Casanova - Todos os Direitos Autorais e Copyright reservados ao autor.

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Tony Casanova, brasileiro, natural de Salvador-BA, escreve desde 1976 e é fundador e administrador do Projeto Roda Cultural, instituição virtual de apoio ás Artes e Artistas em geral. Autor dos E-books "Panorama da Artes", "No Litoral das Relações" , "Relações Instáveis", "O Amor Fala Francês", "O amor segundo a Bíblia", este último inspirado em uma matéria sua publicada no blog Mesa Farta e que teve mais de 10.000 leitores. O escritor Tony Casanova escreve em vários estilos, tendo herdado suas técnicas a partir de leituras feitas a partir de grandes vultos da literatura brasileira, entre os quais estão Castro Alves, Rui Barbosa, Cora Coralina, Érico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade e outros. Gosta do estilo lírico e tem forte inclinação a esta técnica. O autor tem várias publicações em suas páginas da internet. Entre os gêneros literários que escreve estão a Crônica, Poesia, Poema, Ficção e Romance.