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O poeta e feira de artes.

Esta semana fui visitar uma feira, como de costume, fui procurar artigos para reabastecer a dispensa. Mas desta vez algo diferente me ocorreu, realmente não sei bem o que me deu, só que eu estava vendo ali, uma feira diferente. Havia tudo que há numa feira comum, havia o vai-e-vem de gente, muitos carrinhos e cestinhas, mas aquilo que eu via ali, naquele dia, nunca tinha percebido. As feiras na verdade não são mercados públicos, não, não! Não no todo, mas em parte, toda feira é uma galeria, uma riquíssima galeria de artes. Fiquei parado olhando as cores daquelas frutas fresquinhas, contemplava a berinjela roxinha, o verdinho do jiló, ah! os tomates verdes, vermelhinhos e vermelhões. Via cores, muitas cores, emoções vinda da feira, um espetáculo a parte naquele feira tão linda, linda feira de artes. Um vendedor gritava poemas enquanto agitava seus produtos, outro partia ao meio um fruto, enquanto as pessoas escolhiam. Mas como elas estavam ali e não viam o tamanho daquela galeria. Quanta arte meu Deus, se escondia naquela feira. Um vendedor de carnes exibia maestria enquanto destrinchava um frango, me parecia um Ninja de cinema americano, lançava certeiro o cutelo á carne sem cometer um engano, que artista aquele homem. A farinha branquinha se exibia ao sol, casava bem com a singeleza do arroz, mas o feijão mulatinho dava o contraste, aquele gostoso arzinho de arte. "Vai o que hoje, dona Maria?", perguntava outro vendedor agitado, chamava, oferecia, batia palmas e gritava. É o marketing da arte, é a arte da feira. E eu ali namorando a berinjela, aquela morena linda, corpinho perfeito, pele brilhante, a cor, céus! Nunca observei antes, como é linda a berinjela! A couve-flor era exibida em diversas cores, o alface então tinha aquele ar bem verdão, lindo, todo saliente parecia sorrindo a quem o observava. Fui visitar uma jaca louco para saber que arte tinha naquela fruta sisuda de casca com cor indefinida, meio verde, meio amarela. Parecia que me ouviu a danada, chegando lá estava cortada, mostrando o ouro dos seus bagos. Oh! Meu pai, quase me acabo naquela linda jaquinha, juro que naquela hora me deu vontade de comê-la com farinha. Passando adiante vi os peixes, fresquinhos. Meu olhar não se desviava da mão do feirante, um cutelo enorme, dando golpes incessantes e partindo em postas os peixes. Cada golpe era uma nova posta, perfeita como ninguém consegue em casa. É a arte da feira, era a feira da arte como eu nunca tinha prestado atenção. Havia até Dvds, Cds, música, violão! Vi roupas expostas em vitrines improvisadas, vi um sebo com velhos livros, vi a arte das pessoas trabalhando, vi pessoas produzindo arte, vi a arte produzindo pessoas. Arte viva, de cores variadas, cores nos chãos, nas bancadas, nas calçadas. Vi gente feliz, sorridente, conversando, vi mercadores, mercado e produto se misturando, eu visitei naquele dia, não uma feira aberta, mas uma feira de artes, onde obras e artistas se misturam e produzem uma rica cultura de sons, cores e alegria. Beijão gente e até a próxima. Por Tony Casanova - Direitos Autorais e Copyright reservados ao autor.

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Tony Casanova, brasileiro, natural de Salvador-BA, escreve desde 1976 e é fundador e administrador do Projeto Roda Cultural, instituição virtual de apoio ás Artes e Artistas em geral. Autor dos E-books "Panorama da Artes", "No Litoral das Relações" , "Relações Instáveis", "O Amor Fala Francês", "O amor segundo a Bíblia", este último inspirado em uma matéria sua publicada no blog Mesa Farta e que teve mais de 10.000 leitores. O escritor Tony Casanova escreve em vários estilos, tendo herdado suas técnicas a partir de leituras feitas a partir de grandes vultos da literatura brasileira, entre os quais estão Castro Alves, Rui Barbosa, Cora Coralina, Érico Veríssimo, Carlos Drummond de Andrade e outros. Gosta do estilo lírico e tem forte inclinação a esta técnica. O autor tem várias publicações em suas páginas da internet. Entre os gêneros literários que escreve estão a Crônica, Poesia, Poema, Ficção e Romance.